Quando eu partir, não quero que se lembrem de mim pelas minhas riquezas. Talvez seja até melhor não se lembrarem nem das minhas proezas! Quero que lembrem-se dos meus erros. Das minhas falhas. Quero que lembrem-se dos momentos em que eu achei que morreria. Porque foram estas ocasiões que me fizeram crescer. Não teria realizado meus acertos memoráveis sem meus desregramentos.
Quando meu corpo se expirar e o sangue que pulsa em minhas veias se extinguir, não quero que se lamentem por terem me falado o que não deveriam. Não quero que se lastimem por não terem me apoiado o suficiente. Não quero que se magoem por causa das roupas e jóias que deixei. Que fique claro: não levarei tesouros e nem ressentimentos para o túmulo.
Mas o meu maior desejo, o mais puro e firme de todos eles é este: não quero que me deixem morrer. Porque depois que eu partir, minha carne de certo apodrecerá e vocês não ouvirão mais a minha voz. Não sentirão mais o meu cheiro nem o meu calor. Mas isso não me impede de continuar viva. Porque existe um lugar, o mais confortável de todos eles, que é onde eu ficarei para sempre: o coração de vocês.
Quando eu me for, quero continuar viva em cada um de vocês, e quero que vocês continuem vivos em mim também. Quero que espalhem o meu amor por aí, quero que distribuam alegria. Que semeiem esperança e caridade. Bom senso, criatividade.
Quero que vocês se lembrem de mim sempre que virem um beija-flor, um pôr-do-sol, um arco-íris. Quero que se lembrem de mim toda vez que virem uma estrela cadente, uma florzinha. Porque serei eu. Em minha forma mais simples e pura.
E sempre que a saudade apertar (e eu rezo para que ela aperte!), não quero saber de desespero. Porque a saudade é a única certeza que nós temos de que todas as batalhas que travamos (até aquelas que perdemos) valeram a pena. Quando as lembranças nostálgicas e a vontade de voltar ao passado forem maiores do que a coragem de seguir em frente, peço para que continuem andando, mesmo tristes, sem olhar para trás: porque é neste momento que eu estarei mais viva do que nunca. É neste momento que eu estarei sorrindo e acenando. Porque a caminhada é longa. E apesar de dolorosa, é muito divertida.
Créditos : Carolina Fava
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http://carolinafava.blogspot.com/
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